Com chuva ‘insuficiente’, Lago de Furnas tem nível pior do que 2016

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Segundo o secretário executivo da Associação dos Municípios do Entorno do Lago de Furnas (Alago), Fausto Costa, o atual nível preocupa, já que está bem abaixo da cota 762, considerada ideal para a exploração do lago por empresários, piscicultores e turistas.

“Nós estamos em uma situação um pouco pior do que o ano passado. Em 2016, nesta mesma data, estávamos com 40 centímetros acima do nível atual. Deixa a gente um pouco mais preocupado porque nessa época do ano, o bom seria se estivesse uns quatro metros acima do que está hoje. Nós tivemos algumas situações chuvosas na região, tivemos chuvas isoladas, mas não foi capaz de carregar o lago porque a chuva foi pouca”, diz Fausto Costa.

still0206_00012 Com chuva 'insuficiente', Lago de Furnas tem nível pior do que 2016Nível do Lago de Furnas fechou janeiro com nível abaixo do que em 2016 

A esperança é que a chuva possa aumentar até o final do período úmido, que vai até o mês de maio. Segundo Costa, no ano passado, a chuva intensa ajudou na recuperação do reservatório, que chegou a ficar com 78,36% de seu volume útil em junho.

“Já começou a causar um pouco de preocupação esse nível de 761 porque a gente estabelece 762 como um parâmetro satisfatório para atender os clubes náuticos, os restaurantes à beira lago, já não deixa de preocupar um pouco os empreendedores, os empresários da região. Mas estamos em uma época boa, a vantagem é essa. Preocupa porque o bom é que ele atinja um nível bem elevado para suportar a seca do segundo semestre”, completou Costa.

Recuperação e bandeira verde para a energia
Em 2016, o bom período de chuvas fez com que o Lago de Furnas se recuperasse e fechasse o ano com média de 63,52% do seu volume útil. Enquanto o melhor mês foi em junho (78,36%), o pior mês registrado foi justamente dezembro (46,79%). O desempenho foi bem melhor do que em 2015, quando o lago apresentou média de 24,02% de volume. Naquele ano, nesta mesma época, o lago tinha apenas 9,46% de seu volume útil.

“A tendência é que o volume atual aumente, visto que estamos no meio do período úmido – época que mais chove no país. O ONS não está vendo problemas com o abastecimento de energia. Muito pelo contrário, o abastecimento está garantido. Somente no ano passado, segundo o Ministério de Minas e Energia, entraram mais de 9.500 MW de nova capacidade instalada e a retração econômica vem freando o crescimento da demanda por energia, o que dá um certo alívio para a operação do sistema”, informou o órgão ao G1 através de sua assessoria de imprensa.

furnas Com chuva 'insuficiente', Lago de Furnas tem nível pior do que 2016Recuperação de reservatórios deve fazer com que bandeira tarifária fique no verde até abril 

A melhora dos níveis dos reservatórios nas regiões Sudeste e Sul do Brasil já causa efeitos no bolso do consumidor. Conforme o ONS, tudo indica que a bandeira tarifária cobrada nas contas de energia ficará verde pelo menos até o mês de abril, fim do período de chuvas.

Outros reservatórios da região
A chuva de janeiro deixou alguns reservatórios da região em seu limite. Em Poços de Caldas (MG), a Represa Bortolan, que armazena água para geração de energia pelo Departamento Municipal de Energia (DME Poços de Caldas) chegou ao seu limite máximo ao fim de janeiro e já estava vertendo água. Na mesma situação estava a Represa Saturnino de Brito, construída para barrar enchentes na cidade. A Represa do Cipó, que represa água para uso residencial na cidade, também estava praticamente cheia.

Administrada pela Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig), a Represa de Camargos, em Lavras (MG), que abastece a usina de mesmo nome, está atualmente com 40,48% de seu volume útil. Conforme a Cemig, o reservatório, que fica à montante (acima na posição do rio) das usinas de Itutinga e Funil, tem a função de guardar água no período das chuvas e utilizá-la para geração no período seco nas três usinas. Atualmente, as três usinas geram juntas apenas 30,9% da capacidade total instalada.

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Segundo Cemig, Represa de Camargos está com 40,48% de seu volume útil 

Segundo a Cemig, o período chuvoso 2016/2017 está se demonstrando abaixo da média histórica no Sudeste, o que compromete a recuperação plena dos reservatórios nesta região.

A previsão do ONS é que o índice pluviométrico para a região Sudeste em fevereiro corresponda a 85% da média histórica. Segundo o órgão, a perspectiva de volume dos reservatórios para o fim de fevereiro é de 46,4% na região Sudeste, acima dos 37% de hoje.

Fonte: G1